sexta-feira, 30 de abril de 2010

Tempo, tempo, tempo...ainda tentando nosso acordo...




"O tempo não existe, meu amor
O tempo é nada mais que uma invenção
de quem tem medo de ficar eterno.
De quem não sabe que nada se acaba,
que tudo o que se vive permanece
cinza de amor ardendo na memória.
O tempo passa? Ai, quem me dera! O tempo
fica dentro de mim, cantando fica
ou me queimando, mas sou eu quem canto
eu que me queimo, o tempo nada faz
sem mim que lhe permito a minha vida.
De mim depende, sou sua matéria,
esterco e flor do chão da minha mente,
o tempo é o meu pecado original. "
Thiago de Mello



Postal de Fernanda Meireles

sábado, 24 de abril de 2010

In.vento...


Se me perguntas para onde vou, digo-lhe:
- Pergunte ao vento que está a me soprar...

Ensinanças da simplicidade


(Dedicado a frei Alexandre, frei Marcos e frei Rogério.)




Acordar com o cantar dos passarinhos.
Emocionar-se com pescador a velejar.

Silêncio do (a)Mar que em mim habita

Gosto de fruta nova a deliciar

Caminhar sem hora, nem chegada

Partir sem saber o que buscar

Brisa leve, levinha me alisa

Despenteia-me o vento a me soprar

Jardim se abre à janela

Orações para o alimento abençoar

Abençoa-me a Vida desta maneira

Nos caminhos que sigo a desbravar

Brava gente esta desta terra

Que se engrandece na simplicidade de seu caminhar...





São Francisco do Conde, Recôncavo Baiano -BA, 24.04.2010
O silêncio divino a convidar
para mergulhos na alma a quem ousar desbravar
a riqueza que há em Ser.
Escolhas de Vida que conduzem por caminhos diVersos.
Procuras tantas pelo Encontro do não-sei-o-quê.
Olho pela janela e vejo Deus a me presentear
Mar, brisa, barquinho, ilha, pássaros a voar.
Encantos de tantas terras e gentes a me abençoar
O indizível que me enche os olhos e me abraça a alma
A calma tão esperançada no centro do furacão da muDança
Dança a menina em seu velejar
sem avistar o fim da esperança...


São Francisco do Conde, Recôncavo Baiano - BA, 24.04.2010

OrAndo.

Oh, Vida que rege minhas (an)danças
Quanta gratidão nesse novo bailar
Quantos belos encontros presenteados nesse salão-Universo
Quanto encanto em cada par

Quantos passos embalados em melodias tão harmônicas
Quanta Vida (en)cantada a se conhecer
Reinvento meu passo para dançar Contigo
O embalo divino de aprender a só Ser.

São Francisco do Conde, Recôncavo Baiano - BA - 23.04.2010

domingo, 11 de abril de 2010

Escrevo porque não consigo gritar.

Escrever sempre me foi um meio de delinear, de buscar dar forma àquilo que me é confuso, difuso, bagunçado. Hoje escrevo para declarar o que tento negar. Talvez ao vomitar tudo entre palavras consiga livrar-me de tanto (de tanto o quê?) que parece que me escraviza, que me grita, me arranha, e eu me calo. Pois bem,o problema é que eu amo. E por amar, não sinto o tempo passar, a dor escorrer, o ódio acender, a flor se fechar. Por amar trago o peito sempre aberto, o colo sempre disponível, portas sempre abertas,a paz sempre de companhia. Não me atingem sentimentos de ira, impulsos raivosos, desejos ressequidos. Mas também não posso dizer que por amar minha vida seja um Mar de Rosas. “Sinto alegrias, tristezas e brinco”. Brinco com o tempo que teima em correr veloz enquanto eu danço a leveza de outro ritmo. Brinco com os amores que se despedaçam diante de mim, catando cores que ficam de meu rastro. Brinco de ser feliz com a solidão, minha sempre doce companhia. Brinco de ver a vida passar, entre tantas chegadas, abraços e despedidas. Brinco com o acaso, que brinca com a minha cara.E nessa brincadeira, já nem me importo se esqueci as regras, se já passou minha vez. Brinco de voar bem alto: lá de cima tudo é tão pequeno! Meus pés balançam, já não tocam o chão. Coração na mão, que nem massa de modelar, vou dando formas à emoção.


Escrito em 12.08.2008 (mas que poderia ter sido ontem...)