Escrever sempre me foi um meio de delinear, de buscar dar forma àquilo que me é confuso, difuso, bagunçado. Hoje escrevo para declarar o que tento negar. Talvez ao vomitar tudo entre palavras consiga livrar-me de tanto (de tanto o quê?) que parece que me escraviza, que me grita, me arranha, e eu me calo. Pois bem,o problema é que eu amo. E por amar, não sinto o tempo passar, a dor escorrer, o ódio acender, a flor se fechar. Por amar trago o peito sempre aberto, o colo sempre disponível, portas sempre abertas,a paz sempre de companhia. Não me atingem sentimentos de ira, impulsos raivosos, desejos ressequidos. Mas também não posso dizer que por amar minha vida seja um Mar de Rosas. “Sinto alegrias, tristezas e brinco”. Brinco com o tempo que teima em correr veloz enquanto eu danço a leveza de outro ritmo. Brinco com os amores que se despedaçam diante de mim, catando cores que ficam de meu rastro. Brinco de ser feliz com a solidão, minha sempre doce companhia. Brinco de ver a vida passar, entre tantas chegadas, abraços e despedidas. Brinco com o acaso, que brinca com a minha cara.E nessa brincadeira, já nem me importo se esqueci as regras, se já passou minha vez. Brinco de voar bem alto: lá de cima tudo é tão pequeno! Meus pés balançam, já não tocam o chão. Coração na mão, que nem massa de modelar, vou dando formas à emoção.
Escrito em 12.08.2008 (mas que poderia ter sido ontem...)
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