domingo, 19 de dezembro de 2010

Dos caminhos escolhidos.



"A luz que me abriu os olhos
para a dor dos deserdados
e os feridos de injustiça,
não me permite fechá-los
nunca mais, enquanto viva.
Mesmo que de asco ou fadiga
me disponha a não ver mais,
ainda que o medo costure
os meus olhos, já não posso
deixar de ver: a verdade
me tocou, com sua lâmina
de amor, o centro do ser.
Não se trata de escolher
entre cegueira e traição.
Mas entre ver e fazer
de conta que nada vi
ou dizer da dor que vejo
para ajudá-la a ter fim,
já faz tempo que escolhi."

Thiago de Mello

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Do Amor,

"Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,

E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.

Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.

Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor nos domine?
Minha resposta? o amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.

Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha. como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.


O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto."


Moska

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

issimo, issimo, issimo.

"O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço..."


Alvaro de Campos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Coração selvagem

"Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo no seu colo e nesse bar
Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo tenho pressa de viver
Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo
Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente
Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem
Tem essa pressa de viver

Meu bem, mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida: "Vida, pisa devagar meu coração cuidado é frágil;
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela"
Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão

Andar caminho errado pela simples alegria de ser
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo , vem morrer comigo
Talvez eu morra jovem, alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído, completara o meu destino.
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo
Vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem
Que outros cantores chamam baby"

Coração Selvagem - Belchior

sábado, 13 de novembro de 2010


Ele veio naquele momento que não esperava. Disse que não ia ficar muito tempo,mas desconfiei. Quando nem esperávamos, pernas enroscadas, mas numa calmaria ainda não experimentada. As respirações se encontravam e se alinhavam em perfeita harmonia. Poderia se jurar que eram Uno. Os corpos dançavam o desejo em perfeita conexão. Braços, pernas, corpo inteiro. O embalo das carícias, o desbravamento do território dos corpos, um Encontro do prazer com a paz.

Poderia até rezar naquele instante. Mas não saberia como chamar...Amor?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Menos de doer,mais de doar.




"- É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais...
- Você usou o verbo 'doer' ou 'doar'?
- [Pausa] Pois é, dá no mesmo..."

(Gian Fabra)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Minha alma de maresia.


"Há um mistério todo especial
Navegando em mim.
Rema, rema sem parar,
Parece que não cansa...
Não sei onde quer chegar.


Mesmo sendo esse meu mar íntimo,
Lugar perigoso, imprevisível...
Navega sem parar,
Sem receio, sem medo ou indecisão.
Rema... rema sem cessar.


E as vezes calmo, tranqüilo, se entrega
Meu mar curioso,
À espera de em algum canto aportar,
Esse mistério que não cede.
Rema... rema para algum lugar.


Impaciente, provoco tempestades.
Ondas gigantes,
E vendavais repentinos.
Mas nada contém esses remos...
Que remam... não desistem de me navegar.


Talvez ele não me veja realmente.
Ou não deseje mesmo parar.
Esse mistério que tanto me desbrava...
E não descansa, e não chega,
Só queira mesmo manter agitado e vivo
O meu mar."


[Presente de aniversário]

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Gracias a la Vida...


Pelos abraços recebidos, por todo Encontro de Bem, amém!

Pelas amizades conquistadas, pelo carinho multiplicado ao mundo, amém!

Pelas asas coloridas, pelos passos dados mundo à fora e mundo adentro, amém!

Pelas descobertas de Vida, pela cura das feridas, amém!

Por todo Amor presenteado, libertado, vivido e compartilhado, amém!

Por todo trabalho desenvolvido, no rumo da construção de outras formas de vida, amém!

Pelos erros cometidos, necessários para o aprendizado e fortalecimento, amém!

Pela serenidade conquistada, pela paz que me inunda, amém!

Pelas bênçãos das águas, amém!

Por cada por do sol, amém!

Pela energia de Bem que me movimenta, amém!

Pela fé que ainda me habita, por toda esperança que não há de cessar, amém!

Por toda Vida,que assim seja...

Amém!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

...


Quem me deu a razão, faça o favor de tomar de volta!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Odoiá!



"Mas, agora, fico calma. Nada mais me desestabiliza. Porque, além de olho encharcado de mar, tenho uma bússola do lado esquerdo do peito que indica o caminho."

quinta-feira, 7 de outubro de 2010


É tão concreto,é tão real
que as vezes me custa lhe fazer uma poesia
Mas não é que seja seco,
Por favor não me entenda mal,
mas é que é tão concreto,é tão real.

...


Aprendi a gostar da calmaria.

domingo, 3 de outubro de 2010

Carne viva.

Havia um aperto no peito, por mais profundo que ela insistisse em respirar.A volta da insegurança partida, o não saber lidar com algo tão real. tão seguro lhe era a Vida quando tudo era fantasia, quando o mundo era seu e ela pintava à sua maneira. Pisar sobre o real, andar de mãos dadas com a realidade lhe era tão novo quanto assustador. Assusta a dor, lhe manda ir embora. Sem tanto controle, a entrega real ao acaso daquele caso que se encontrava em suas mãos, mas que ela sabia que não poderia apertar entre seus dedos: sufocaria.
Havia de resistir. Apertava no peito a coragem a desabrochar, lhe ardia a louca vontade de experimentar a felicidade em carne viva.


"Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente.
Tenta nos levar pra casa do sofrer.

E quando escutar um samba-canção.
Assim como: "Eu preciso aprender a ser só".
Reagir e ouvir o coração responder:
"Eu preciso aprender a só ser."

Gilberto Gil

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Paciência criando Amor.


“Meu receio era de que, por impaciência com a lentidão que tenho em me compreender, eu estivesse apressando antes da hora um sentido. Tinha a impressão de que, mais tempo eu me desse, a história diria sem convulsão o que ela precisava dizer. Cada vez mais acho tudo uma questão de paciência, de amor criando paciência, de paciência criando amor."


(Clarice Lispector)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo delicioso de se sentir que escorregava de dentro da gente e se esparramava no sorriso. Escapulia no olhar. Cantava no silêncio. Fazia florescer pés de sol no tempo encantado em que estávamos juntos. Dispensava nomes e entendimentos. Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria. De vida abraçada. De chuva quando beija a aridez. De lua quando é cheia e o céu diz estrelas. Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo maravilhoso para ser dado e recebido, daqueles presentes que a vida embrulha com os seus papéis mais bonitos e entrega, toda contente, a duas pessoas. Havia algo para ser trocado, e troca é quando duas vidas se sentem olhadas ao mesmo tempo. Havia algo que fazia um coração falar com o outro, ouvir o que era dito, gostar do que era dito, rir com o que era dito, sentir-se espelhado, sentir-se enternecido, querer brincar, muito além do que qualquer palavra, por qualquer motivo, por qualquer defesa, tentasse, em vão, esclarecer. Uma vontade de parar todos os relógios do mundo para eternizar a dádiva da presença compartilhada, e a impressão de que às vezes até conseguíamos.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo que escapava, ileso, dos artifícios todos, todos tolos, que a razão arranjava para não deixar o amor fluir com a beleza dele, o chamado dele, a natureza dele. Amor sempre arruma brecha para escoar entre os dedos temerosos do medo. Pode ser que a gente sinta tanto receio e se proteja tanto, as feridas antigas cicatrizadas coisíssima nenhuma, que nem consiga vivê-lo em sua plenitude. Mas que ele escoa, escoa. Esparrama no sorriso. Escapole no olhar. Canta no silêncio. Diz.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo que delatava o desejo, os quarteirões da gente todos iluminados com o fogo feliz da sensualidade, iluminadas as ruas todas que dão acesso ao lugar onde o corpo e a alma costumam se encontrar e dançar numa única canção. Havia algo que não podia ser negado, preterido, amordaçado. Algo que inaugura primavera, tanto faz se é inverno. Algo raro e precioso. Que é perfeito, ao mesmo tempo que consegue incluir todas as imperfeições. Que é lindo, ao mesmo tempo que consegue integrar as esquisitices todas que gente também tem. Havia amor e, de um jeito ou de outro, sabíamos sem nos dizer, havia chegado pra ficar.

O amor quando é amor é amor. "


Mais um texto de Ana Jácomo,que me traduz, que me desvela de toda tentativa de disfarce!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sem fantasia .

"Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer


Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus


Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer

De tanto te esperar
Eu quero te contarD
as chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus"

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Tempos de MUDAnça


"Sentir o coração desnudo, tantos sentimentos à mostra, um monte de ilusões e apegos sendo dissolvidos, uma reviravolta imensa, e não contar mais com o que se desfez, nem ainda com o que está sendo tecido é mesmo assustador. Não há como retornar ao que já não existe nem como adiantar o relógio para se chegar rapidamente ao que ainda não é. Experimentar na própria alma a força terna e tecelã da vida, ao mesmo tempo em que nos sentimos tão frágeis, é um desafio que requer paciência, toda gentileza e muita fé. As novas flores já moram nos brotos, mas ainda não desabrocharam. A chuva de renovação está dentro das nuvens, mas elas ainda não verteram. A borboleta já voa na crisálida, mas ela ainda nem se deu conta direito da novidade de ter asas."


Ana Jácomo

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Transbordando em furacões.

Lá vou eu de novo tentar escrever porque não consigo gritar. As palavras querem escorrer numa velocidade que não alcanço.Respiro. Preciso dizer-te da minha alegria em saber que me vês. Que vês tão para além do que eu engenhosamente e ingenuamente tentei desfaçar. Ainda me pergunto que hora foi que deixei escapar tanto de mim diante de ti. Agradeço por toda sensibilidade em seu olhar. Mas quando me revelaste o que até eu mesma desviava meu olhar para não reconhecer, não tinhas a medida do tamanho do furacão que estavas a acionar...

Furacão que por tanto tempo eu acreditei que era amor desmedido e que o engolia para não assustar ao outro. Não...o furacão é feito de medidas não medidas de insegurança bruta, de medos, e se o seguro com todas as minhas forças é para que EU não me assuste, e não tu.

Mas ainda há muito que se conhecer para entender. Há de revisitar os meus caminhos até aqui percorridos, há de se entender os Encontros já vividos, há de se mergulhar tão mais fundo em meus olhos...

E, agora que vejo o furacão, não o quero adormecer. Não quero a dor desmerecer. Que se destrua o que não for de perecer. Que se cuide do que há de renascer!






“E a ganância de ser-me inteira prossegue.”

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ansiedade


Eu respiro fundo umas mil vezes
Pra ver se o peito vai abrindo e se expandindo
Até caber essa ansiedade desembestada
Essa dor que não sei onde acaba
Esse lugar em mim que não conheci

Respiro pedindo calma à minha alma
Pedindo que não se apresse na desesperança
Que me deixe acordar mais criança
Que não queira saber tanto antes do fim

Respiro pedindo tempo ao tempo que em mim escorre
Que não me atropeles, nem eu o sufoque
Que consigamos à paz prometida
Que assim cantemos em uníssono com a Vida

sábado, 31 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

É terno.


"Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem "


Sophia de Mello

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Boba,boba.


Mais uma vez vou escrever porque não consigo gritar.
É, “jurei nunca mais amar pela décima vez.” Tola,tola. Lembrei de novo de minha amiga Luz: “Ah,boba...você não controla essas coisas! Você não escolhe.” Eu juro, eu juro que eu queria escolher. Escolher a hora em que eu iria me encantar: estaria eu de bem com a vida, unhas feitas, cabelo hidratado, com meu vestido mais lindo, toda disposta, com tempo livre para passar horas conversando ao telefone ou para ver o pôr-do-sol em qualquer lugar da cidade. Mas não! E eu bem que poderia desconfiar...tava lá eu de olheiras na cara, descabelada, trabalhando minhas 60h/semanais, pilhas de livros pra ler, milhões de problemas para resolver, varias contas pra pagar. Mas e ai?! Eu nunca recuso convite da Vida. Ta, até me faço de desinteressada, fico me segurando, disfarço, uso fantasia de indiferente. Mas não adianta.
Ai, eu que me achava tão protegida em minha quase indiferença, me pego olhando mil vezes o celular em busca daquela mensagem de bom dia, esperando chegar o fim do dia para aquela visita de dez minutos, querendo qualquer sinal de presença, me pego ajeitando o cabelo e disfarçando as olheiras, procurando aquele vestido, controlando os passos para não parecer tão boba, sorrindo frente a qualquer sinal do seu bem querer, cheia de medos e inseguranças.
Há quem se surpreenda com essa coragem de “de novo” (?) ir mergulhar no (a)Mar, mas não sei nem como é que se vive (e pra mim amar e viver foi sempre tão parecido!) de outro jeito, sem essa emoção, esse abobalhamento.


“Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo” (C.F.A.)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Amor é tudo o que me move.

"Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito.
Que por muito tornou-me escravizado.
Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano."

Vinicius, ah...Vinicius!

domingo, 4 de julho de 2010

Sina de lamparina.


Sei que nada é por acaso nesse mundo de meu Deus

Nada me chega do nada

Nada parte por nada

E se é essa minha sina,

sina de lamparina

ofereço minha esperança para iluminar...

Cada tempo em seu lugar.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O medo de amar é o medo de ser livre.

"O medo de amar é o medo de ser

Livre para o que der e vier

Livre para sempre estar onde o justo estiver

O medo de amar é o medo de ter

De a todo momento escolher

Com acerto e precisão a melhor direção

O sol levantou mais cedo e quis

Em nossa casa fechada entrar

Prá ficar

O medo de amar é não arriscar

Esperando que façam por nós

O que é nosso dever: recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou

O medo nos olhos de quem foi ver

Tanta luz"

terça-feira, 29 de junho de 2010


"Tem dor que vira companhia. Olhando de perto, faz tempo que deixou de doer, só tem fama, mas a gente não solta. Quem sabe, pelo receio de não saber o que fazer com o espaço, às vezes grande, que ficará desocupado se ela sair de cena. Vazio é também terreno fértil para novos florescimentos, mas costuma causar um medo inacreditável.


Quando, finalmente, criou coragem e deixou de dar casa, comida e roupa lavada para a tal dor, ela desapareceu."


Ana Jácomo.

domingo, 27 de junho de 2010

Alem de coragem,há de se ter muito Amor.


"A amorosidade de que falo, o sonho pelo qual brigo e para cuja realização me preparo permanentemente, exigem em mim, na minha experiencia social, outra qualidade: a coragem de lutar ao lado da coragem de AMAR! "

Paulo Freire



*Para não esquecer o que está no horizonte...

sábado, 26 de junho de 2010

(A)Mar de saudade.


"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que suponho
Seres um milagre criado só para mim."

Sophia de Mello


Foto do Mar cearense por Luz...iza MARtins

E hoje não.

"E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda. "


Caio, Caio...para minha melancolia bastam tuas palavras.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Grito mudo sem rumo.


Há dias venho tentando traduzir em palavras o que me mexe aqui dentro. Talvez seja essa uma tentativa de conseguir organizar essa bagunça que me tomou, essa intraduzível ventania que me passa e me descabela toda harmonia, esse furacão que me deixa esse nó que me aperta, que me toma o ar. Nenhuma palavra ainda deu conta. Mas se pudesse traduzir em som, acho que seria um grito.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Das ilusões.

"Pra não afundar no poço terrível
Da solidão absoluta
Pra não se perder no caos
Da desordem sem nexo
Os homens precisam
Da ilusão do amor
Assim como precisam
Da ilusão de Deus"

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 23 de junho de 2010


"Só peço a Deus
que a dor não me seja indiferente
que a seca morte não me encontre
vazia e só sem ter feito o suficiente

Só peço a Deus
que o injusto não me seja indiferente
que não me esbofeteem a outra bochecha
Depois que uma garra me arranhou essa sorte

Só peço a Deus
que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente

Só peço a Deus
que o engano não me seja indiferente
Se um traidor pode mais que uns quantos,
que esses não esqueçam facilmente

Só peço a Deus
que o futuro não me seja indiferente,
Desiludido está o que tem que marchar
para viver uma cultura diferente"
Porque eu prefiro toda a dor da afetação à anestesia alienante.

domingo, 20 de junho de 2010

Deixa eu te contar.

"Eu vou te contar que você não me conhece
E eu tenho que gritar isso
Porque você está surdo e não me ouve
A sedução me escraviza a você
Ao fim de tudo você permanece comigo
Mas preso ao que eu criei e não a mim
E quanto mais falo sobre a verdade inteira
Um abismo maior nos separa
Você não tem um nome e eu tenho
Você é rosto na multidão
E eu sou o centro das atenções
Mas há mentira na aparência do que eu sou
E há mentira na aparência do que você é
Porque eu não sou o meu nome
E você não é ninguém
O jogo perigoso que eu pratico aqui
Busca chegar no limite possível de aproximação
Através da aceitação da distância
Ou do reconhecimento dela
Entre eu e você
Existe a notícia que nos separa
Eu quero que você me veja nu
Eu me dispo da notícia
E a minha nudez parada
Me denuncia e te espelha
Eu me dilato
Tu me relatas
Eu nos acuso e confesso por nós
Assim me livro das palavras
Com a as quais você me veste. "


[texto de Fauzi Arap]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ter fé e ver coragem no Amor.(ou mais um déjà vu!)


Aceitar o fim. Fechar a porta. Deixar morrer pra germinar. Tenho uma demora no peito que faz com que o tempo se dilate na hora do adeus. Revisito, reacendo, deixo sempre a brecha na janela pra ele voltar. Não desato o nó, não fecho a gestalt, insisto até ver a gota final. E ainda que a gota caia, ainda fico olhando-a, vendo o formato que tomará, esperando que ela preencha um Mar. Enquanto isso, cega diante do novo que me ronda, de toda novidade que tente se aproximar. Depois de tantos calendários, quando chega a hora de recomeçar, nunca sei que passo tomar. Fico numa dança sem jeito, rodopiando sem par, sem parar.Mas a Vida sempre ensina. O que veio é o que era minha sina. O que não veio foi esperança partida. E os pra-sempre sempre foram meus.
[Escrito em um tempo distante...]


Respira,menina...Lá está ela de novo, frente a frente com a decepção, essa que insiste em reaparecer em seu caminho, depois de tantas voltas. Coração aperta diante de tudo que lhe parece um “déjà vu”. Sua vida parece disco arranhado, que fica voltando à mesma estrofe que lhe dói os ouvidos. Não pode ser “de novo”, ela quer acreditar na inediticidade das relações, dos encontros. Mas ela poderia jurar já ter visto esse capitulo na sua história. Mais uma vez ela cegara frente à placa à sua frente: era “perigo” ou “siga em frente”? Quanta loucura em confiar desmedidamente e ir num só impulso buscar a felicidade na beira do precipício. Mais uma vez, é chegado o tempo de experimentar de suas asas...Deixar todo o vento levar, deixar o que for passar, olhar além e voar....
[Escrito em um tempo presente, pulsante ainda...]


Vai lá menina, veja que o tempo passou em sua janela. Aviste as mudanças, aceite as distâncias, corra atrás do que valer a pena, suas penas, as penas de suas asas que caem pelo caminho, redesenhando seus vôos...

quinta-feira, 17 de junho de 2010


E as vezes eu me sinto como se estivesse vendo cair gota a gota
e esperasse se formar um Mar...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Isso também não é verdade.

"Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:
- Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.

Não, isso também não é verdade."

Mais uma de Caio Fernando Abreu que vem me denunciar.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Não acredito em acasos.


"Olhando daqui, percebo que pessoas e circunstâncias tiveram um propósito maior na minha vida do que muitas vezes, no momento de cada uma, eu soube, pude, aceitei, ler. Parece-me, agora, que cada uma, no seu próprio tempo, do seu próprio modo, veio somar para que eu chegasse até aqui, embora algumas vezes, no calor da emoção da vez, eu tenha me rendido à enganosa impressão de que veio subtrair. A vida tem uma sabedoria que nem sempre alcanço, mas que eu tenho aprendido a respeitar, cada vez com mais fé e liberdade.O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura. A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. De duvidar até acreditar com o coração isento das crenças alheias. A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos. A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece, apesar de tudo o que já viu. É de um amor que não enruga, apesar das memórias todas na pele da alma. A gente precisa é deixar de ser sobrevivente para, finalmente, viver. A gente precisa mesmo é aprender a ser feliz a partir do único lugar onde a felicidade pode começar, florir, esparramar seus ramos, compartilhar seus frutos.Tudo o que eu vivi me trouxe até aqui e sou grata a tudo, invariavelmente. Curvo meu coração em reverência a todos os mestres, espalhados pelos meus caminhos todos, vestidos de tantos jeitos, algumas vezes disfarçados de dor.Eu mudei muito nos últimos anos, mais até do que já consigo notar, mas ainda não passei a acreditar em acaso."


Texto de Ana Jácomo,que tão bem traduz a mim.

Quem me dera...

Quem dera Deus ter me dado uma alma menos sensível, menos intensa, uma alma não tanto corporificada, nem assim tão viva, nem tão ardente, nem tão contraditória em seu ritmo pulsante. Quisera eu não me afetar tanto com a falta de delicadeza, com a falta de calor nas relações, com a secura dos olhares, com a falta de toque, com as injustiças cotidianas. Ah,mas com uma alma menos intensa também não me encantaria com as pequenas coisas (como aquela borboleta amarela que me faz parar e me arranca sorriso besta para ver ela dançar entre o caos dos carros que correm na minha rua).
E já que estou fadada à intensidade, já que me recobrem flores na pele, hei de provocar tantas outras almas tensas que andam por ai suspirando em busca de tantas razões, insistindo a convidá-las à simplicidade de sentir, sem precisar fazer sentido.


Escrito em 07 de junho de 2010.

Se é loucura, então melhor não ter razão.

Seguir regras, encaixar-se a padrões, adequar-se ao real, sonhar somente sonhos possíveis. Para quê? Para ir onde todo mundo já foi? Para dizer o que se espera que seja dito? Para amar sem emoção? Para ser escravo da razão? Eu não! Eu não quero a clausura da normalidade, as amarras das leis, da obviedade, do habitual. Antes o desesperado que o que é sempre esperado. Prefiro o inédito, o inusitado, o não-pronto. Insisto em inventar realidades, em criar o meu chão, em acreditar no sentimento inédito, em me encantar com o simples, em suspirar em todo pôr do sol, em acreditar que nada é de novo. Eu prefiro a afetação à anestesia. Eu prefiro a loucura exposta à qualquer coisa reprimida. Eu prefiro a criação.


Escrito em 02 de junho de 2010.

sábado, 5 de junho de 2010

Abraça tua loucura.

"— Tenho sete formas. Navegue.
Abraçou-me. Tinha cheiro de mar. Do mar que não há nesta cidade.Pedi que ficasse, como não ficou o outro. Mas não o suportaria, acrescentei a seguir. Sorriu. Como se nada do que eu pudesse dizer fosse capaz de modificar sua partida. Ainda chove, tentei dizer. Não importa, será melhor assim, repetia sua mão estendida. Passou-a devagar na minha face. Eu era uma coisa pequena, rastejante e sem Deus, caminhando no escuro lamacento à procura apenas de qualquer gesto como o toque de uma mão humana, devagar na minha face. Ele tocou. Calçou os sapatos, apanhou o chapéu. Eu quis dizer que poderia ocupar o segundo quarto — a segunda cama, a segunda vida — talvez para sempre. Eu estava tão vivo que qualquer outra coisa também viva e próxima merecia minha mão estendida, oferecendo. Estendi a mão. Ele não podia acei tá-la. Eu não devia estendê-la.
— O navio demora pouco no porto — disse antes de partir.
Um marinheiro desce, olha a terra, às vezes deposita algo, e logo torna a partir.Seus olhos tinham a r do mar. Tinham a cor exata de quem por muito tempo, todas as horas, durante todos os dias de muitos meses e anos, olhou detidamente o mar. Conquistara esse verde móvel, inquieto, esse vagar. Tocou de leve minha mão estendida. E se foi. Ainda chovia. Fechei a porta às suas costas. Por entre os roxos e amarelos da pequena vidraça vertical, podia perceber a silhueta de alguém se afastando. Dentro de uma noite de sábado, não de agosto. Era novembro. Bebi outro gole de conhaque. Fui escorregando para o fundo, no meio das almofadas. Amanhecia. Na casa em frente, os ruídos tinham silenciado. Seria um longo domingo. Não estava triste, mesmo assim recomecei a chorar enquanto ouvia outra vez o aviso guardado para sempre na memória das paredes:
— Abraça tua loucura antes que seja tarde demais. "

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 18 de maio de 2010

18 de maio - Dia da Luta Antimanicomial




"Com a Reforma Psiquiátrica
surgem os CAPS
uma nova proposta de tratar
uma idéia genial
uma equipe multiprofissional
Não precisando ficar como no passado
como lixo de gente amontoado
Agradeço a Raul no seu poema "maluco beleza"
mas beleza sim
maluco nunca mais"

(poema de Eduardo Calliga,usuário do CAPS II da Liberdade - Salvador)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Calma, alma minha...

Ai,quem me dera, meu Deus, ter uma alma surda
para que eu não pudesse escutar tão claro o que me grita todo esse silêncio.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Flor de Muçambê

"Será que hoje eu senti seu cheiro
Será ou foi a flor de muçambê
Será que ouvi seu canto ao pé do juazeiro
Será que foi cauã ou zabelê o amor é ímpar
Quando faz um par se apura dor
é pra purificar do lume dos urdumes
nos umbrais o sábio sabe
Mas o amor sabe mais.
Mágoa é casa de meia-água
Eu peço sempre a São Jorge
Pra lhe proteger
E à Senhora dos Milagres
Pra você não me esquecer"


(musica de Roque Ferreira, encantada por Mariene de Castro)

sábado, 1 de maio de 2010

Porque a palavra-chave da vez é "saudade"

Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Caetano Veloso, Chico Buarque...todo mundo ultimamente vem querer me falar de ausências, vazios, saudades...Deve ser essa conexão forte com a Vida, que faz todo o mundo girar na sua conexão...

Estava eu nesses dias de lua-cheia, sentada na janela do meu atual quartinho...dai peguei o livro do meu amigo-poeta Alan Mendonça e abri aleatoriamente, buscando um verso pra me fazer companhia naquele momento...ah, acredite: abri no poema "Saudade"! suspirei...só suspirei...

"Sinto uma enorme ausência
do meu sorriso que é teu sorriso
não por domínio
mas por uma calma e completa confusão
de espírito e corpo
de vento e essência
de música e poesia"

(do livro "Angústias, álcool e cheiro de cigarro", de Alan Mendonça.)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Tempo, tempo, tempo...ainda tentando nosso acordo...




"O tempo não existe, meu amor
O tempo é nada mais que uma invenção
de quem tem medo de ficar eterno.
De quem não sabe que nada se acaba,
que tudo o que se vive permanece
cinza de amor ardendo na memória.
O tempo passa? Ai, quem me dera! O tempo
fica dentro de mim, cantando fica
ou me queimando, mas sou eu quem canto
eu que me queimo, o tempo nada faz
sem mim que lhe permito a minha vida.
De mim depende, sou sua matéria,
esterco e flor do chão da minha mente,
o tempo é o meu pecado original. "
Thiago de Mello



Postal de Fernanda Meireles

sábado, 24 de abril de 2010

In.vento...


Se me perguntas para onde vou, digo-lhe:
- Pergunte ao vento que está a me soprar...

Ensinanças da simplicidade


(Dedicado a frei Alexandre, frei Marcos e frei Rogério.)




Acordar com o cantar dos passarinhos.
Emocionar-se com pescador a velejar.

Silêncio do (a)Mar que em mim habita

Gosto de fruta nova a deliciar

Caminhar sem hora, nem chegada

Partir sem saber o que buscar

Brisa leve, levinha me alisa

Despenteia-me o vento a me soprar

Jardim se abre à janela

Orações para o alimento abençoar

Abençoa-me a Vida desta maneira

Nos caminhos que sigo a desbravar

Brava gente esta desta terra

Que se engrandece na simplicidade de seu caminhar...





São Francisco do Conde, Recôncavo Baiano -BA, 24.04.2010
O silêncio divino a convidar
para mergulhos na alma a quem ousar desbravar
a riqueza que há em Ser.
Escolhas de Vida que conduzem por caminhos diVersos.
Procuras tantas pelo Encontro do não-sei-o-quê.
Olho pela janela e vejo Deus a me presentear
Mar, brisa, barquinho, ilha, pássaros a voar.
Encantos de tantas terras e gentes a me abençoar
O indizível que me enche os olhos e me abraça a alma
A calma tão esperançada no centro do furacão da muDança
Dança a menina em seu velejar
sem avistar o fim da esperança...


São Francisco do Conde, Recôncavo Baiano - BA, 24.04.2010

OrAndo.

Oh, Vida que rege minhas (an)danças
Quanta gratidão nesse novo bailar
Quantos belos encontros presenteados nesse salão-Universo
Quanto encanto em cada par

Quantos passos embalados em melodias tão harmônicas
Quanta Vida (en)cantada a se conhecer
Reinvento meu passo para dançar Contigo
O embalo divino de aprender a só Ser.

São Francisco do Conde, Recôncavo Baiano - BA - 23.04.2010

domingo, 11 de abril de 2010

Escrevo porque não consigo gritar.

Escrever sempre me foi um meio de delinear, de buscar dar forma àquilo que me é confuso, difuso, bagunçado. Hoje escrevo para declarar o que tento negar. Talvez ao vomitar tudo entre palavras consiga livrar-me de tanto (de tanto o quê?) que parece que me escraviza, que me grita, me arranha, e eu me calo. Pois bem,o problema é que eu amo. E por amar, não sinto o tempo passar, a dor escorrer, o ódio acender, a flor se fechar. Por amar trago o peito sempre aberto, o colo sempre disponível, portas sempre abertas,a paz sempre de companhia. Não me atingem sentimentos de ira, impulsos raivosos, desejos ressequidos. Mas também não posso dizer que por amar minha vida seja um Mar de Rosas. “Sinto alegrias, tristezas e brinco”. Brinco com o tempo que teima em correr veloz enquanto eu danço a leveza de outro ritmo. Brinco com os amores que se despedaçam diante de mim, catando cores que ficam de meu rastro. Brinco de ser feliz com a solidão, minha sempre doce companhia. Brinco de ver a vida passar, entre tantas chegadas, abraços e despedidas. Brinco com o acaso, que brinca com a minha cara.E nessa brincadeira, já nem me importo se esqueci as regras, se já passou minha vez. Brinco de voar bem alto: lá de cima tudo é tão pequeno! Meus pés balançam, já não tocam o chão. Coração na mão, que nem massa de modelar, vou dando formas à emoção.


Escrito em 12.08.2008 (mas que poderia ter sido ontem...)