quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quem me dera...

Quem dera Deus ter me dado uma alma menos sensível, menos intensa, uma alma não tanto corporificada, nem assim tão viva, nem tão ardente, nem tão contraditória em seu ritmo pulsante. Quisera eu não me afetar tanto com a falta de delicadeza, com a falta de calor nas relações, com a secura dos olhares, com a falta de toque, com as injustiças cotidianas. Ah,mas com uma alma menos intensa também não me encantaria com as pequenas coisas (como aquela borboleta amarela que me faz parar e me arranca sorriso besta para ver ela dançar entre o caos dos carros que correm na minha rua).
E já que estou fadada à intensidade, já que me recobrem flores na pele, hei de provocar tantas outras almas tensas que andam por ai suspirando em busca de tantas razões, insistindo a convidá-las à simplicidade de sentir, sem precisar fazer sentido.


Escrito em 07 de junho de 2010.

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